Sinusite de origem dentária e comunicação buco-sinusal: quando o problema no nariz vem do dente
Nem toda sinusite começa no nariz. Entenda a sinusite de origem dentária e a comunicação buco-sinusal, dois problemas ligados à proximidade entre os dentes de cima e o seio maxilar, como o diagnóstico é feito e quando procurar o cirurgião bucomaxilofacial.
Nem todo problema no nariz começa no nariz. Uma parte dos casos de sinusite que afeta o seio maxilar, aquele que fica logo acima dos dentes de cima, tem origem em um problema dentário. Quando isso acontece, tratar apenas o nariz costuma trazer alívio temporário, porque a causa continua na raiz de um dente ou em uma região próxima. Entender essa relação ajuda a procurar a avaliação certa e a evitar tratamentos que se repetem sem resolver.
Este texto é informativo e explica dois assuntos que costumam aparecer juntos: a sinusite de origem dentária, também chamada de sinusite odontogênica, e a comunicação buco-sinusal, que é uma ligação que pode surgir entre a boca e o seio maxilar. O objetivo é esclarecer o que são, quando desconfiar e em que momento a avaliação do cirurgião bucomaxilofacial faz sentido. Nada aqui substitui a consulta presencial, em que cada caso é avaliado de forma individual.
O que é o seio maxilar
Os seios da face são cavidades cheias de ar dentro dos ossos ao redor do nariz. O seio maxilar é o que fica de cada lado do rosto, na altura da bochecha, logo acima dos dentes superiores de trás. Em muitas pessoas, as raízes desses dentes ficam bem próximas do assoalho do seio, e em alguns casos separadas dele por uma camada muito fina de osso.
Essa proximidade explica por que um problema em um dente de cima pode repercutir no seio maxilar, e por que um procedimento nessa região exige cuidado com a anatomia local. É uma vizinhança que passa despercebida no dia a dia, mas que ganha importância quando surge uma infecção ou quando um dente precisa ser removido.
O que é a sinusite de origem dentária
A sinusite odontogênica é a inflamação do seio maxilar causada por um problema dentário, e não por um resfriado ou por uma alergia. As causas mais comuns incluem infecção na raiz de um dente superior, doença na gengiva e no osso ao redor do dente, restos de raiz ou, em algumas situações, complicações ligadas a procedimentos anteriores na região.
Um dado que costuma chamar a atenção é a sinusite que afeta só um lado do rosto e que não melhora com os tratamentos habituais para o nariz. Quando a inflamação volta sempre do mesmo lado, ou não responde ao que normalmente resolveria uma sinusite comum, vale investigar se a origem não está em um dente.
O que é a comunicação buco-sinusal
A comunicação buco-sinusal é uma ligação que pode se formar entre a cavidade da boca e o seio maxilar, geralmente após a remoção de um dente superior de trás cuja raiz era muito próxima do seio. Como o osso entre os dois espaços pode ser fino, em alguns casos abre-se uma pequena passagem entre a boca e o seio.
Quando essa comunicação persiste e não fecha sozinha, pode se transformar no que se chama de fístula buco-sinusal. Alguns sinais ajudam a perceber que algo assim aconteceu:
- Sensação de que líquidos passam da boca para o nariz ao beber.
- Passagem de ar entre a boca e o nariz, às vezes com alteração na voz.
- Saída de secreção ou mau gosto persistente do lado do dente removido.
- Desconforto ou pressão na região da bochecha que não melhora.
Nem toda extração de dente superior gera esse tipo de comunicação, e a maioria das remoções ocorre sem essa intercorrência. Ainda assim, reconhecer os sinais ajuda a procurar avaliação cedo, quando o manejo costuma ser mais simples.
Sinais que fazem pensar em causa dentária
Alguns achados aumentam a suspeita de que a origem do problema esteja no dente, e não apenas no nariz:
- Sintomas de sinusite sempre do mesmo lado do rosto.
- Mau cheiro ou mau gosto persistente, difícil de explicar.
- Dor ou sensibilidade em um dente superior de trás, junto com a queixa nasal.
- Sinusite que retorna com frequência ou que não melhora com os tratamentos comuns.
- Início dos sintomas logo após uma extração ou um procedimento em um dente de cima.
Nenhum desses sinais fecha o diagnóstico sozinho. Eles apenas indicam que vale investigar a possível relação entre o dente e o seio, de preferência com uma avaliação que olhe para os dois lados do problema.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico costuma reunir mais de uma informação, porque a queixa pode ser parecida com a de outras causas. Em geral, a avaliação inclui:
- História e exame clínico: entender há quanto tempo os sintomas existem, de que lado do rosto, e se houve algum procedimento dentário antes.
- Exames de imagem: a tomografia, em especial a tomografia de feixe cônico, ajuda a ver a relação entre as raízes dos dentes e o seio maxilar e a identificar sinais de comunicação ou de infecção de origem dentária.
- Avaliação conjunta quando necessário: em parte dos casos, faz sentido a conversa entre o cirurgião bucomaxilo e o otorrinolaringologista, para alinhar o cuidado com o dente e com o seio.
Essa investigação evita o que às vezes acontece, que é tratar repetidamente o nariz enquanto a causa segue no dente. Identificar a origem correta é o que direciona o tratamento.
Como costuma ser o tratamento
A conduta depende da causa, do tamanho de uma eventual comunicação e do estado do seio, e é sempre individualizada. De forma geral, as abordagens envolvem:
- Tratar a origem dentária: resolver a infecção ou o problema no dente responsável, o que pode incluir o tratamento do dente ou a remoção quando indicada.
- Cuidar do seio maxilar: controlar a inflamação e a infecção do seio, muitas vezes em conjunto com o otorrino.
- Fechar a comunicação buco-sinusal: comunicações pequenas podem cicatrizar com cuidados e acompanhamento, enquanto outras precisam de um procedimento para fechar a passagem entre a boca e o seio.
Cada situação tem um planejamento próprio, e o resultado é avaliado caso a caso, sem uma regra única que sirva para todos. Depois do tratamento, costuma haver orientações para proteger a região enquanto ela cicatriza, como evitar assoar o nariz com força por um período, conforme a indicação do profissional.
Quando procurar o cirurgião bucomaxilo
A avaliação com cirurgião e traumatologista bucomaxilofacial costuma fazer sentido quando:
- Existe sinusite sempre do mesmo lado que não melhora com os tratamentos habituais.
- Surgiu passagem de líquido ou de ar entre a boca e o nariz, principalmente após uma extração.
- Há mau gosto ou secreção persistente ligada a um dente superior de trás.
- Um dentista identificou a possível relação entre um dente e o seio maxilar e indicou avaliar.
A ideia não é substituir o dentista ou o otorrino que acompanham o paciente, e sim somar. O bucomaxilo avalia a relação entre os dentes e o seio, conduz a parte cirúrgica quando ela é necessária e, quando o caso pede, atua em conjunto com outras áreas.
Por que a especialidade é bucomaxilofacial (CRO)
O diagnóstico e o tratamento da sinusite de origem dentária e da comunicação buco-sinusal fazem parte da cirurgia bucomaxilofacial, área do cirurgião-dentista com especialização reconhecida pelo Conselho Federal de Odontologia. Esse profissional é registrado no CRO (Conselho Regional de Odontologia), e não no CRM.
A formação reúne o conhecimento dos dentes, dos ossos da face e das estruturas próximas, como o seio maxilar, justamente a região envolvida nesses casos. Quando o problema também precisa do olhar do otorrinolaringologista, o cuidado pode ser conduzido em conjunto, mas a parte que liga o dente ao seio está dentro do escopo do bucomaxilo.
Se você tem uma sinusite que não passa, sempre do mesmo lado, ou percebeu alguma mudança entre a boca e o nariz depois de mexer em um dente de cima, uma avaliação especializada ajuda a entender a origem e a definir a conduta mais adequada para o seu caso, com calma e com base em exames.
Avaliação com cirurgião bucomaxilo em Sorocaba
Dr. Guilherme Borges Manta (CRO-SP 108737) avalia casos de DTM, cirurgia ortognática, traumas faciais e estética facial cirúrgica. Atendimento em consultório e nos Hospitais Evangélico e Unimed Sorocaba.
Agendar pelo WhatsAppPerguntas frequentes
Sinusite pode ter origem em um dente?
Sim. Parte dos casos de sinusite do seio maxilar tem causa dentária, e não nasal. Isso acontece porque as raízes dos dentes superiores de trás ficam muito próximas do seio maxilar. Infecção na raiz, doença na gengiva e no osso ou restos de raiz podem inflamar o seio. Um sinal que costuma chamar a atenção é a sinusite sempre do mesmo lado que não melhora com os tratamentos habituais para o nariz. A confirmação vem da avaliação clínica somada a exames de imagem.
O que é comunicação buco-sinusal?
É uma ligação que pode se formar entre a boca e o seio maxilar, em geral após a remoção de um dente superior de trás cuja raiz era muito próxima do seio. Como o osso entre os dois espaços pode ser fino, às vezes abre-se uma pequena passagem. Sinais como líquido que passa da boca para o nariz ao beber, ou ar passando entre a boca e o nariz, ajudam a perceber que isso aconteceu e indicam procurar avaliação.
Toda extração de dente de cima causa esse problema?
Não. A maioria das remoções de dentes superiores ocorre sem essa intercorrência. A proximidade entre a raiz e o seio maxilar varia de pessoa para pessoa e de dente para dente. Quando existe risco maior, o profissional avalia isso no planejamento. Reconhecer os sinais depois do procedimento ajuda a procurar avaliação cedo, quando o manejo costuma ser mais simples.
Como sei se minha sinusite é de origem dentária?
Alguns sinais aumentam a suspeita: sintomas sempre do mesmo lado do rosto, mau gosto ou mau cheiro persistente, dor em um dente superior de trás junto com a queixa nasal, e sinusite que volta sempre ou não melhora com o tratamento comum. Nenhum sinal fecha o diagnóstico sozinho. Quem confirma é a avaliação clínica somada a exames de imagem, como a tomografia, que mostra a relação entre o dente e o seio.
O tratamento é feito pelo dentista, pelo otorrino ou pelo bucomaxilo?
Depende do caso, e muitas vezes o cuidado é conjunto. A parte que liga o dente ao seio, incluindo o fechamento de uma comunicação buco-sinusal, está dentro do escopo do cirurgião bucomaxilofacial. O otorrinolaringologista costuma participar do cuidado com o seio. O importante é tratar a origem no dente, e não apenas os sintomas nasais, para evitar que o problema se repita.
Comunicação buco-sinusal fecha sozinha?
Comunicações pequenas podem cicatrizar com cuidados e acompanhamento, enquanto outras precisam de um procedimento para fechar a passagem entre a boca e o seio. Isso depende do tamanho e de outros fatores avaliados individualmente. Costuma haver orientações para proteger a região durante a cicatrização, como evitar assoar o nariz com força por um período, conforme a indicação do profissional. A conduta é definida caso a caso.
Quem trata esses casos, bucomaxilo (CRO) ou médico (CRM)?
A parte que envolve a relação entre o dente e o seio maxilar faz parte da cirurgia bucomaxilofacial, área do cirurgião-dentista com especialização reconhecida pelo Conselho Federal de Odontologia, registrado no CRO (Conselho Regional de Odontologia), e não no CRM. Quando o caso também envolve o seio de forma mais ampla, o otorrinolaringologista pode participar, e o cuidado é conduzido em conjunto.