Cirurgia ortognática Publicado em 28 de abril de 2026 10 min de leitura

Cirurgia ortognática: quem precisa, como funciona e como é a recuperação

Ortognática não é procedimento estético, é cirurgia funcional para corrigir alterações esqueléticas da face que ortodontia sozinha não resolve. Entenda quem se beneficia, o que esperar do pós e quais os riscos reais.

Cirurgia ortognática é um procedimento bucomaxilofacial que reposiciona os ossos maxilares (maxila, mandíbula e queixo) para corrigir alterações esqueléticas da face. Apesar do impacto visível no perfil facial, a indicação é primariamente funcional: corrigir mordida, melhorar respiração, restaurar mastigação e fonação.

A confusão comum é tratar a ortognática como cirurgia estética. Ela tem efeito estético secundario importante, mas o que justifica a indicação é o componente funcional: oclusão incorreta, dificuldade mastigatória, apneia obstrutiva do sono, comprometimento articular da ATM ou problemas de fala associados a alteração esquelética.

Quem precisa de cirurgia ortognática

A indicação clássica é para discrepancia esquelética entre maxila e mandíbula que não pode ser corrigida apenas por ortodontia. Quadros tipicos incluem:

Prognatismo mandibular (mandíbula projetada)

A mandíbula cresce além do que a maxila acompanha. O queixo fica projetado, os dentes inferiores ficam a frente dos superiores (mordida cruzada anterior). Em casos leves, ortodontia camufla. Em casos mais acentuados, só cirurgia corrige.

Retrognatismo mandibular (mandíbula retraida)

A mandíbula fica posicionada para tras em relação a maxila. O perfil fica com o queixo recuado, frequentemente associado a apneia obstrutiva do sono porque a base da lingua segue a posição mandibular e obstrui a via aérea durante o sono.

Mordida aberta esquelética

Os dentes anteriores não se tocam mesmo com a boca fechada, há um espaco vertical visível. Quando a causa é esquelética (e não apenas dentária), ortodontia isolada não mantém o resultado a longo prazo.

Mordida cruzada posterior por discrepancia transversal

Quando a maxila é mais estreita que a mandíbula, há mordida cruzada lateral. Em adultos, expansão palatina cirúrgica (SARPE) ou ortognática pode ser necessária conforme o caso.

Apneia obstrutiva do sono moderada a severa em casos selecionados

Em pacientes com apneia obstrutiva e anatomia maxilomandibular favoravel, a cirurgia ortognática de avanço maxilomandibular é uma opção reconhecida quando CPAP não é tolerado. A taxa de resposta documentada em literatura especializada é alta para pacientes selecionados.

Como funciona o tratamento

Ortognática não é apenas a cirurgia. É um tratamento que combina ortodontia e cirurgia, e o sequenciamento é clássicamente:

  1. Ortodontia pré-cirúrgica (8 a 18 meses): o ortodontista alinha os dentes na posição que eles ficarao APOS a cirurgia. Isso é contraintuitivo para o paciente, porque a oclusão costuma piorar visívelmente antes da cirurgia.
  2. Planejamento cirúrgico: tomografia, fotos, modelos 3D, planejamento virtual. O cirurgião define os movimentos ósseos exatos da maxila, mandíbula e/ou queixo.
  3. Cirurgia: realizada em ambiente hospitalar sob anestesia geral. Duração tipica de 3 a 6 horas conforme complexidade. Internação costuma ser de 1 a 3 dias.
  4. Ortodontia pós-cirúrgica (4 a 8 meses): finalização do refinamento oclusal após a cirurgia.

O tratamento total, do início da ortodontia pré até o fim da finalização pós, costuma durar de 18 a 30 meses.

Como é a recuperação

Primeira semana

Edema facial intenso, principalmente nos primeiros 5 dias. Dieta liquida e gelada para reduzir inchaco. Bloco gelado intermitente na face. Antibiótico, anti-inflamatório e analgésico conforme prescrição. Cirurgião costuma reavaliar entre o 5 e 7 dia.

Semana 2 a 4

Edema diminui progressivamente. Dieta evolui para pastosa. Retorno gradual a atividades leves. Higiene bucal mais cuidadosa com escovas específicas e bochechos antissepticos. Sem atividade fisica intensa.

Mês 1 a 3

Dieta evolui para semissolida e depois solida progressivamente. Atividade fisica leve liberada. Sensibilidade alterada em regiões da face (parte do labio inferior, queixo, gengiva) é comum e melhora gradualmente, mas pode persistir por meses.

Mês 3 a 6

Edema residual termina de desaparecer. Resultado estético definitivo se consolida. Retorno completo as atividades. Reinicio da ortodontia pós-cirúrgica.

Mês 6 a 12

Finalização ortodôntica. Resultado funcional definitivo: mordida estável, mastigação normal, fonação normal. Maioria da sensibilidade nervosa é recuperada.

Riscos e cuidados

Como toda cirurgia, ortognática tem riscos. Os mais relevantes a serem conhecidos:

Por que escolher cirurgião bucomaxilo (CRO) e não cirurgião plástico (CRM)

Cirurgia ortognática é procedimento bucomaxilofacial reconhecido pelo Conselho Federal de Odontologia. É realizada por cirurgiao-dentista com especialização em cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial, registrado no CRO (Conselho Regional de Odontologia).

Cirurgia plástica facial (rinoplastia, mentoplastia estética, lifting) é procedimento médico realizado por cirurgião plástico registrado no CRM. São especialidades distintas com formação distinta, mesmo havendo sobreposição em alguns procedimentos cosméticos da região facial.

Para indicação funcional de ortognática (correção de mordida, apneia, mastigação), o profissional habilitado é o cirurgião bucomaxilofacial.

Avaliação com cirurgião bucomaxilo em Sorocaba

Dr. Guilherme Borges Manta (CRO-SP 108737) avalia casos de DTM, cirurgia ortognática, traumas faciais e estética facial cirúrgica. Atendimento em consultório e nos Hospitais Evangélico e Unimed Sorocaba.

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Perguntas frequentes

Cirurgia ortognática é estética ou funcional?

Funcional. A indicação primaria é correção de mordida, mastigação, apneia obstrutiva do sono ou alteração esquelética que compromete função. O resultado estético do perfil facial é consequência da correção funcional, não o objetivo isolado da cirurgia.

Quanto tempo dura o tratamento completo?

Em média de 18 a 30 meses, contando ortodontia pré-cirúrgica (8-18 meses), cirurgia, e ortodontia pós-cirúrgica (4-8 meses). Casos mais simples podem fechar em 15 meses. Casos complexos podem chegar a 36 meses.

Cirurgia ortognática precisa de internação?

Sim. É realizada sob anestesia geral em ambiente hospitalar. Internação tipica é de 1 a 3 dias, dependendo da extensão da cirurgia e da recuperação individual.

Em quanto tempo volto ao trabalho?

Atividade administrativa leve costuma ser liberada entre 2 a 4 semanas pós-operatório. Atividade fisica intensa, esportes e trabalhos com esforco fisico costumam ser liberados a partir do mês 2 a 3. Volta ao trabalho depende do tipo de atividade e da evolução individual.

Plano de saúde cobre cirurgia ortognática?

Em geral, sim, quando indicada por motivo funcional documentado (alteração oclusal classificada, apneia obstrutiva do sono diagnosticada, comprometimento articular). A cobertura é por plano hospitalar, não odontológico. A aprovação precisa de laudo do cirurgião e do ortodontista, exames de imagem e justificativa funcional. Ortognática indicada apenas por motivo estético não é coberta.

Vou sentir muita dor no pós-operatório?

Dor pós-operatoria de ortognática é geralmente moderada e bem controlada com analgésicos prescritos. O desconforto mais relatado é o edema facial intenso da primeira semana e a sensibilidade alterada da face, mas dor de alta intensidade não é padrão em cirurgia bem conduzida.

Existe limite de idade para fazer ortognática?

Idade minima é quando termina o crescimento ósseo facial, em torno de 16-18 anos para mulheres e 18-20 anos para homens, conforme avaliação radiografica do fechamento das suturas. Idade maxima não tem limite rigido. Pacientes acima de 50 anos são operados rotineiramente desde que estejam clinicamente compensados (cardiovascular, metabolico). A condição geral de saúde pesa mais que a idade isolada.

Dr. Guilherme Borges Manta
CRO-SP 108737 - Cirurgião e Traumatologista Bucomaxilofacial

Graduado pela FOP/UNICAMP com residência multiprofissional pelo SUS de São Paulo. Atende em consultório na região central de Sorocaba e nos Hospitais Evangélico e Unimed Sorocaba (HMS). Especialista em cirurgia ortognática, disfunção da ATM, cirurgia dos terceiros molares e reabilitação oral.

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