Patologia bucomaxilofacial Publicado em 8 de julho de 2026 10 min de leitura

Cisto e tumor odontogênico: o que significa uma lesão na radiografia e quando procurar o bucomaxilo

Descobrir um cisto ou uma imagem no osso em uma radiografia de rotina costuma assustar, mas a maioria dessas lesões é benigna. Entenda o que são os cistos e tumores odontogênicos, como o diagnóstico é feito e quando o caso pede avaliação do cirurgião bucomaxilofacial.

É mais comum do que parece descobrir uma imagem, um cisto ou uma lesão em uma radiografia de rotina do dentista, muitas vezes sem sentir nenhum sintoma. Esse achado costuma gerar preocupação, mas na maioria das situações trata-se de uma lesão benigna dos ossos maxilares. Ainda assim, toda imagem desse tipo merece avaliação, porque é a investigação, e não a radiografia isolada, que define do que se trata.

Cistos e tumores odontogênicos são lesões que se originam dos tecidos que formam os dentes, dentro da mandíbula ou da maxila. A grande maioria é benigna, mas existem comportamentos diferentes entre os tipos, e alguns pedem acompanhamento mais próximo. Este texto é informativo, explica o que esses termos significam e não substitui a avaliação presencial de cada caso.

O que quer dizer odontogênico

Odontogênico é o termo usado para as lesões que se desenvolvem a partir dos tecidos ligados à formação dos dentes. Como esses tecidos ficam dentro dos ossos maxilares, essas lesões aparecem na mandíbula ou na maxila, muitas vezes perto de raízes ou de dentes que não nasceram.

Vale diferenciar dois termos que costumam assustar:

Reconhecer que a maioria dessas lesões é benigna ajuda a encarar o achado com mais tranquilidade. Ao mesmo tempo, cada lesão tem características próprias, e por isso a avaliação é individualizada.

Como essas lesões costumam ser descobertas

Boa parte dos cistos e tumores odontogênicos não dá sintoma no início e acaba encontrada por acaso, em uma radiografia panorâmica pedida por outro motivo, como avaliação de siso, planejamento de ortodontia ou de implante. O dentista percebe uma imagem diferente no osso e encaminha para investigar.

Quando há sinais, os mais relatados costumam ser:

Nenhum desses sinais fecha diagnóstico sozinho. Eles apenas indicam que vale investigar, e a ausência de sintoma não afasta a necessidade de avaliar uma imagem encontrada na radiografia.

Tipos mais frequentes

Existem vários tipos, e conhecer os nomes ajuda a entender o que o profissional comenta durante a avaliação. Alguns dos mais citados:

Cisto radicular (periapical)

É um dos cistos mais comuns. Costuma se formar na ponta da raiz de um dente com comprometimento do nervo (necrose pulpar), muitas vezes ligado a cárie profunda ou a trauma antigo. Aparece na radiografia como uma imagem arredondada na base da raiz.

Cisto dentígero

Está associado a um dente que não nasceu, com frequência o siso ou o canino. Forma-se ao redor da coroa desse dente incluso e, por isso, costuma ser descoberto quando se investiga um dente que não irrompeu.

Queratocisto odontogênico

É uma lesão que merece atenção por ter tendência a crescer ao longo do osso e por apresentar chance de retornar depois de tratada. Não é câncer, mas justamente por esse comportamento o acompanhamento após o tratamento é parte importante da conduta.

Tumores odontogênicos benignos

O odontoma é o mais frequente e corresponde, na prática, a tecido dentário mal formado, de comportamento benigno. Outros tumores, como o ameloblastoma, também são benignos, mas podem crescer localmente e exigem planejamento cuidadoso. Cada um tem conduta própria, definida após o diagnóstico.

Como é feito o diagnóstico

A radiografia é o ponto de partida, mas não é o que fecha o diagnóstico. A investigação costuma reunir:

Por isso, duas imagens parecidas na radiografia podem ter diagnósticos diferentes. A confirmação vem da soma do exame clínico, da imagem detalhada e do estudo do tecido.

Como costumam ser tratadas

O manejo depende do tipo de lesão, do tamanho, da localização e das estruturas próximas, e é sempre individualizado. As abordagens variam:

O objetivo do tratamento é remover a lesão quando indicado, confirmar o diagnóstico pelo exame do tecido e acompanhar a evolução. Como cada lesão tem características próprias, não existe uma conduta única que sirva para todos, e o resultado é avaliado individualmente, sem prometer um desfecho igual para todas as pessoas. Em lesões com tendência a retornar, o acompanhamento após o procedimento faz parte do cuidado.

Quando procurar o cirurgião bucomaxilo

A avaliação com cirurgião e traumatologista bucomaxilofacial costuma fazer sentido quando:

A ideia não é substituir o dentista que acompanha o paciente, e sim somar. O bucomaxilo avalia a lesão em conjunto com os exames de imagem, conduz a investigação e define, com o paciente, os próximos passos.

Por que a especialidade é bucomaxilofacial (CRO)

O diagnóstico e o tratamento de cistos e tumores odontogênicos fazem parte da patologia e da cirurgia bucomaxilofacial, área do cirurgião-dentista com especialização reconhecida pelo Conselho Federal de Odontologia. Esse profissional é registrado no CRO (Conselho Regional de Odontologia), e não no CRM.

A formação reúne o conhecimento dos dentes, dos ossos maxilares e das lesões que surgem nessa região, justamente o que essas lesões envolvem. Em casos que precisam de outras áreas, o acompanhamento pode ser feito em conjunto, mas a condução das lesões odontogênicas está dentro do escopo do bucomaxilo.

Se você recebeu a informação de que há uma imagem ou lesão no osso da mandíbula ou da maxila, uma avaliação especializada ajuda a entender do que se trata e a definir a conduta mais adequada para o seu caso, com calma e com base em exames.

Avaliacao com cirurgiao bucomaxilo em Sorocaba

Dr. Guilherme Borges Manta (CRO-SP 108737) avalia casos de DTM, cirurgia ortognatica, traumas faciais e estetica facial cirurgica. Atendimento em consultorio e nos Hospitais Evangelico e Unimed Sorocaba.

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Perguntas frequentes

Todo cisto ou tumor odontogênico é câncer?

Não. A grande maioria das lesões odontogênicas é benigna. A palavra tumor, nesse contexto, significa um crescimento de tecido e não necessariamente algo maligno. Ainda assim, cada lesão tem características próprias, e quem confirma de qual se trata é o exame histopatológico, feito a partir da análise do tecido em laboratório. Por isso, uma imagem na radiografia deve ser avaliada com calma e investigada, e não interpretada como diagnóstico fechado.

Descobri uma imagem no osso na radiografia e não sinto nada. Isso é comum?

Sim. Boa parte dos cistos e tumores odontogênicos não dá sintoma no início e é encontrada por acaso, em uma radiografia pedida por outro motivo, como avaliação de siso, ortodontia ou implante. A ausência de dor não significa que a imagem possa ser ignorada, nem que se trata de algo grave. Significa que vale investigar para entender do que se trata e definir a conduta.

Como é feito o diagnóstico dessas lesões?

A radiografia é o ponto de partida, mas não fecha o diagnóstico. A investigação costuma reunir exame clínico, exames de imagem mais detalhados, como a tomografia, e a biópsia com exame histopatológico, que analisa o tecido em laboratório. É esse estudo do tecido que confirma com segurança de qual lesão se trata e orienta o tratamento. Duas imagens parecidas podem ter diagnósticos diferentes.

Cisto odontogênico sempre precisa de cirurgia?

Nem sempre da mesma forma. A conduta depende do tipo de lesão, do tamanho, da localização e das estruturas próximas. Algumas lesões pequenas podem ser acompanhadas com exames periódicos, enquanto outras são removidas cirurgicamente, com o material enviado para exame do tecido. A decisão é individualizada e definida após a avaliação e os exames, sem uma regra única para todos os casos.

Preciso remover o dente ligado à lesão?

Depende do caso. Em algumas situações o dente envolvido pode ser preservado, e em outras a remoção faz parte do tratamento da lesão. Isso varia conforme o tipo de lesão, a relação com o dente e o planejamento definido após os exames. Essa decisão é conversada com o paciente durante o planejamento, caso a caso.

Uma lesão como o queratocisto pode voltar depois de tratada?

Alguns tipos de lesão, como o queratocisto odontogênico, têm tendência a retornar depois do tratamento. Não se trata de câncer, mas justamente por esse comportamento o acompanhamento com exames após o procedimento é parte importante da conduta. O objetivo é observar a região ao longo do tempo. A forma e a frequência do acompanhamento são definidas individualmente pelo profissional.

Quem trata cisto e tumor odontogênico, bucomaxilo (CRO) ou médico (CRM)?

O diagnóstico e o tratamento dessas lesões fazem parte da patologia e da cirurgia bucomaxilofacial, área do cirurgião-dentista com especialização reconhecida pelo Conselho Federal de Odontologia, registrado no CRO (Conselho Regional de Odontologia), e não no CRM. Em casos que envolvem outras áreas, o acompanhamento pode ser feito em conjunto, mas a condução das lesões odontogênicas está dentro do escopo do bucomaxilo.

Dr. Guilherme Borges Manta
CRO-SP 108737 - Cirurgiao e Traumatologista Bucomaxilofacial

Graduado pela FOP/UNICAMP com residencia multiprofissional pelo SUS de Sao Paulo. Atende em consultorio na regiao central de Sorocaba e nos Hospitais Evangelico e Unimed Sorocaba (HMS). Especialista em cirurgia ortognatica, disfuncao da ATM, cirurgia dos terceiros molares e reabilitacao oral.

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